1. Uma ilha que nem sempre foi Das Flores

  2. Um lugar de experiências pioneiras

  3. A Hospedaria da Ilha das Flores

  4. Experiências da imigração

  5. Outros usos da Hospedaria em princípios do século XX

  6. A Ilha como presídio de revolucionários e revoltosos dos anos 1930

  7. A II Guerra Mundial e os anos 1950

  8. Presídio durante o Regime Militar

  9. A Tropa de Reforço dos Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil e o Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores

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Outros usos da Hospedaria em princípios do século XX

Durante o período de atividades da Hospedaria de Imigrantes, a Ilha das Flores teve também outros usos, especialmente o de presídio militar.

Essa situação não era incomum. A Hospedaria de Imigrantes de São Paulo passou pelo mesmo processo. Parte desta Hospedaria foi transformada em presídio político onde foram retidos opositores de Arthur Bernardes, em 1924. Em 1943, devido à posição adotada pelo Brasil com seu ingresso na II Guerra Mundial, imigrantes japoneses e alemães foram expulsos de suas terras no litoral paulista e retidos na Hospedaria sob fiscalização do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Ainda nesse ano, a Escola Técnica de Aviação ocupou as dependências da Hospedaria, ali permanecendo até 1951 (PAIVA, 2007:29-36).

Os primeiros indícios dos outros usos pelos quais passou a ilha foram localizados em 1915. O jornal O Fluminense noticiava, em quatro de maio, que moradores sem teto da capital federal eram embarcados no cais Pharoux, às 19h, e pernoitavam nos pavilhões da Ilha das Flores. Por volta das 6h eram levados de volta (O FLUMINENSE, 1915:1).

Em 1917, com a entrada do Brasil no conflito, em nome da Segurança Nacional, a Ilha das Flores foi transferida do Ministério da Agricultura para o da Marinha. 3 Foi também neste momento que, pela primeira vez, a ilha foi usada como presídio militar. A Revista da Semana de sete de julho de 1917 divulgava o recolhimento de tripulantes de navios alemães à ilha (REVISTA, 1917).

Cinco anos depois, o país vivia um período de intensos movimentos de contestação à ordem vigente na Primeira República (ESTUDOS HISTÓRICOS, 1993). A historiografia vem considerando esta data emblemática por concentrar uma série de eventos que criticavam o regime oligárquico estabelecido na Primeira República brasileira. Foi em 1922 que se organizaram o Partido Comunista do Brasil, a Reação Republicana, a Semana de Arte Moderna, o Centro Dom Vital e as primeiras manifestações tenentistas. Estes expressavam os desencantamentos de variados segmentos sociais – políticos, intelectuais e militares, por exemplo – com a República vigente. O Levante do Forte de Copacabana levou à prisão dos tenentes Juarez Távora e Cordeiro de Faria, recolhidos na Ilha das Flores (KUSHNIR, 2008: 67).

3 A transferência temporária foi efetivada pelo decreto 12.689, de 21/10/1917. Em 01/10/1919, pelo decreto 13.781 a ilha retornou ao Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio.