1. Uma ilha que nem sempre foi Das Flores

  2. Um lugar de experiências pioneiras

  3. A Hospedaria da Ilha das Flores

  4. Experiências da imigração

  5. Outros usos da Hospedaria em princípios do século XX

  6. A Ilha como presídio de revolucionários e revoltosos dos anos 1930

  7. A II Guerra Mundial e os anos 1950

  8. Presídio durante o Regime Militar

  9. A Tropa de Reforço dos Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil e o Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores

Download em PDF dos textos
 
A II Guerra Mundial e os anos 1950

O novo conflito mundial deflagrado em 1939 diminuiu o afluxo de imigrantes para o país e influiu nas atividades da Hospedaria. O ingresso do Brasil no conflito, em 1942, ao lado das tropas aliadas, levou à maior fiscalização daqueles que entravam no país, assim como com os naturais das nações inimigas aqui residentes. A Ilha das Flores, além de abrigar refugiados de guerra, voltou a ser presídio militar “ para recolher elementos implicados em ‘quintacolunismo‘ ” (RESUMO, s/d.: 3) A direção deste presídio foi acumulada por João de Almeida, então diretor da Hospedaria, que redigiu seu regulamento em 10 de agosto de1942 (REGULAMENTO, 1942). Antes mesmo da aprovação de seu regulamento, a ilha havia recebido prisioneiros. Em 06 de julho foram ouvidos 46 detentos que declaravam não fazer nada contra o Brasil e que propagandearam o nazismo antes do ingresso brasileiro no conflito, não mais o fazendo após esse momento (RELATORIO, 1942). No ano de 1942, foram retidas na Ilha das Flores 349 pessoas (RESUMO, s/d: 4).

O Resumo registra a instalação, na ilha, em 1944, de um Serviço de Encaminhamento de Trabalhadores para a Extração de Borracha no Mato Grosso. “ Estas pessoas são recebidas na Ilha, inspecionadas, devidamente imunizadas e equipadas pra seguirem destino aos seringais ” daquele estado. Até 30 de junho daquele ano já haviam sido enviadas 650 pessoas para este destino (RESUMO, s/d: 4; NO FRONT, 1944:4-5).

O término do conflito deixou profundas marcas nos países envolvidos e promoveu um amplo debate sobre a questão da convivência entre os povos. Seu desfecho e a configuração de uma nova geopolítica internacional proporcionaram um outro contingente imigratório: os refugiados de guerra. Estes eram expatriados pelo conflito ou opositores do controle sócio-político das novas potencias mundiais: EUA e URSS.

Em 1954, foi criado o Instituto Nacional de Imigração e Colonização e, com isso, a gerência da Hospedaria da Ilha das Flores retornou ao Ministério da Agricultura, órgão que detinha a jurisdição sobre o referido instituto. Gradativamente, há a diminuição do número de imigrantes ali alojados até o seu fechamento oficial em 1966.

Antes disso, no início de 1964, 600 lavradores sem terras do interior do estado do Rio são deslocados para a Hospedaria enquanto aguardavam a desapropriação das terras das quais foram alijados (CORREIO, 1964:7-9).