Experiências da imigração

A longa jornada da Europa ao Brasil concluía com a chegada a um porto do país. Os navios ficavam ao largo do porto do Rio de Janeiro onde passavam por uma inspeção sanitária antes que os seus passageiros pudessem seguir para o local de acolhimento, a Hospedaria da Ilha das Flores. Para levá-los ao local eram utilizadas pequenas embarcações que carregavam entre quinze e vinte pessoas até o arquipélago. Aí eram registrados e passavam por um gabinete sanitário, onde se verificava o seu estado de saúde, visando prevenir a entrada de doenças infecciosas.

Segundo relatos de imigrantes, que chegaram ao Brasil nos anos de 1950, terminada a etapa médica, eles recebiam roupas de cama e sabão, pois tinham a responsabilidade de zelar pela limpeza de suas vestes. Depois, eram encaminhados aos alojamentos, em número de quatro: um principal, na região sul da ilha, bem próximo à administração da hospedaria, e os outros três na parte norte. Os alojamentos eram divididos levando em conta o gênero e o estado civil. Os imigrantes eram acomodados em quartos reservados a jovens solteiros, a homens casados, a mulheres solteiras e a mulheres casadas com filhos pequenos.

Guardados os pertences, os imigrantes eram encaminhados ao refeitório, onde, pela primeira vez, tinham contato com os pratos básicos da cozinha brasileira, o feijão com arroz, que tanta estranheza causava a alguns deles. A fase de recepção terminava com uma palestra com a qual eram informados que deveriam achar um emprego dentro do prazo de oito dias, tempo máximo regimental que a Hospedaria se responsabilizaria por acomodá-los. Nesse sentido, havia instalado na ilha um escritório, espécie de balcão de empregos. Vez por outra, empregadores apareciam com propostas de trabalho. Uma outra alternativa era o deslocamento para as cidades do entorno da ilha – São Gonçalo e Niterói - ou mesmo a capital do país, em busca de trabalho.